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Análise: Netanyahu e monarquias sunitas do Golfo Pérsico apostam na reeleição de Trump

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Líderes de Estados do Golfo Pérsico são igualmente gratos a Trump, que acolheu seus governos, atacou seu arqui-inimigo, o Irã, e os defendeu das intensas críticas políticas em Washington. Como Netanyahu, eles estão ansiosos para ver Trump garantir mais um mandato em novembro. E nesta terça-feira, na Casa Branca, o premier israelense e um grupo de integrantes dos governos árabes do Golfo retribuiram o favor, fazendo sua parcela de apoio ao republicano na assinatura dos novos acordos entre Israel, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, uma iniciativa que Trump está promovendo como histórica.

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Na prática, os acordos não são exatamente a paz que o presidente americano promete. Eles não colocam fim a um estado de conflito, mas criam relações normalizadas, incluindo sobre viagens e contatos diplomáticos, entre Estados judaico e árabes que nunca se enfrentaram em uma guerra, e por anos têm sido aliados de fato, em especial quando o assunto é o antagonismo ao Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tinha uma dívida antiga com o presidente americano Donald Trump, que por vezes concedeu benesses diplomáticas em momentos cruciais, quando o premier lutava por sua sobrevivência política.

Líderes de Estados do Golfo Pérsico são igualmente gratos a Trump, que acolheu seus governos, atacou seu arqui-inimigo, o Irã, e os defendeu das intensas críticas políticas em Washington. Como Netanyahu, eles estão ansiosos para ver Trump garantir mais um mandato em novembro. E nesta terça-feira, na Casa Branca, o premier israelense e um grupo de integrantes dos governos árabes do Golfo retribuiram o favor, fazendo sua parcela de apoio ao republicano na assinatura dos novos acordos entre Israel, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, uma iniciativa que Trump está promovendo como histórica.

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Na prática, os acordos não são exatamente a paz que o presidente americano promete. Eles não colocam fim a um estado de conflito, mas criam relações normalizadas, incluindo sobre viagens e contatos diplomáticos, entre Estados judaico e árabes que nunca se enfrentaram em uma guerra, e por anos têm sido aliados de fato, em especial quando o assunto é o antagonismo ao Irã.

Como proclamado nos novos anúncios de campanha de Trump, esses acordos estão na base da mensagem do presidente sobre política externa, em um momento decisivo no processo eleitoral: a de que, apesar de toda sua retórica bélica e sua imprevisibilidade, ele está levando uma harmonia ao caótico Oriente Médio.

PUBLICIDADE Não há dúvida de que Netanyahu e os líderes dos Emirados e do Bahrein — com o esperado aval de seu poderoso vizinho, a Arábia Saudita — são incentivados a ajudar Trump a se apresentar como um diplomata eficaz, algo que ele faz sem parcimônia.

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Anúncios publicados no Facebook na semana passada declaravam que Trump “conseguiu a PAZ no ORIENTE MÉDIO”, ressaltando que ele já foi indicado para o Prêmio Nobel (o texto trouxe um erro de grafia, escrevendo “Noble”) por seus esforços. Qualquer um pode ser indicado ao prêmio por um determinado grupo. O nome de Trump foi apresentado por congressistas de direita da Escandinávia.

— Não podemos ignorar o fato de que isso acontece a 48 dias de nossa eleição — afirmou Halie Soifer, diretora-executiva do Conselho Democrático Judaico dos EUA. — Nas últimas três eleições israelenses, Trump tentou intervir a favor do primeiro-ministro Netanyahu. Agora, Netanyahu vem a Washington em meio à sua própria crise política em casa.

Soifer notou que o uso do termo “paz no Oriente Médio” foi em si só uma forma de atração, uma vez que ele normalmente é usado para descrever o muito aguardado acordo entre Israel e os palestinos — um esforço diplomático de Trump que está completamente paralisado — e não iniciativas mais modestas.

PUBLICIDADETemos que assumir que todo esse movimento está sendo regido pela agenda política de Trump, e pelo interesse em obter fatos positivos antes da eleição — diz Soifer.

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A mesma lógica pode ser aplicada aos países do Golfo Pérsico, diz Yoel Guzansky, pesquisador do Instituto de Estudos Nacionais de Segurança, em Tel Aviv, e ex-chefe do setor dedicado à região no Conselho de Segurança Nacional de Israel.

Esses países querem que Trump fique no poder. Estão preocupados com a possibilidade de Joe Biden chegar ao poder — afirmou. — Eles temem que o democrata possa ser mais ameno com o Irã e mais duro com eles, em temas como direitos humanos, e até suspender as vendas de armas que fazem Trump tão orgulhoso.

Objetivos próprios A Casa Branca nega tais visões, dizendo que não estão recebendo o devido crédito pelo árduo trabalho diplomático para ligar, formalmente, Israel com os líderes do Golfo Pérsico, mesmo sem saber se o mundo árabe estava preparado para aceitar Israel, há muito apontado como inimigo, como parceiro.

— Não havia muito diálogo entre Israel e o Bahrein ou Israel e os Emirados Árabes Unidos antes disso acontecer. Construímos confiança nos dois lados — disse, na semana passada, Jared Kushner, genro de Trump e conselheiro, que assumiu um papel de liderança na diplomacia do Oriente Médio.

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Sobre a cerimônia desta terça, disse ser “extremamente raro poder ver um acordo de paz. Ainda mais raro ver dois acordos de paz em um só dia”.

Mais do que uma cerimônia com toda pompa nos jardins da Casa Branca, os parceiros de Trump no Oriente Médio têm boas razões para fechar tais acordos. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão diante de uma crise de reputação em Washington, ligada às suas intervenções militares na guerra civil do Iêmen, um desastre humanitário que provocou a ira de todo o mundo. O príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman, espera superar ainda o status de “quase pária”, ligado ao assassinato do jornalista e dissidente Jamal Khashoggi, em outubro de 2018; ele deve dar apoio privado aos dois acordos.

Para Netanyahu, a viagem a Washington serve ainda como uma distração breve da crise política dentro de Israel, ligada às políticas de controle do novo coronavírus, e que pode ameaçar sua manutenção no poder, assim como o julgamento envolvendo denúncias de pagamento de suborno e fraude.

PUBLICIDADE Analistas já previam que Netanyahu apareceria ao lado de Trump nas semanas finais da campanha eleitoral nos EUA, como uma espécie de retribuição pessoal pelos anos de apoio político do republicano, além de ajudar a garantir que sua Presidência e suas políticas sejam mantidas.

Trump foi muito bom para o premier no período em que o líder israelense lutava por sua sobrevivência política. Duas semanas antes de Netanyahu enfrentar uma eleição antecipada no começo do ano passado, por exemplo, Trump reconheceu a autoridade de Israel sobre as Colinas de Golã, um território em disputa há décadas. Com uma nova eleição no começo do ano, ao lado de um novo indiciamento, Trump o recebeu na Casa Branca para revelar um plano de paz entre Israel e palestinos, mas que favorecia de maneira flagrante os israelenses.

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Mais uma vez diante de uma série de crises em casa, Netanyahu participará de um evento grandioso na Casa Branca. Ele foi para o aeroporto na noite de domingo, logo depois de impor um lockdown nacional de três semanas, válido a partir de sábado, pouco antes do ano novo judaico, uma resposta à alta do número de mortes causadas pelo novo coronavírus, algo que suas políticas erráticas, abandonadas várias vezes por razões políticas, não conseguiram conter.

PUBLICIDADE Protestos contra Netanyahu lotaram as ruas do lado de fora de sua residência oficial, em Jerusalém, nos últimos finais de semana. No domingo, manifestantes contra a corrupção se concentraram na rodovia que leva ao aeroporto internacional de Tel Aviv, enquanto o premier embarcava em sua viagem de 48 horas. Alguns cartazes pediam que essa fosse uma viagem apenas de ida.

Favor a Trump Os Emirados Árabes compartilham dessa gratidão a Trump. Como o líder israelense, Mohammad bin Zayed, príncipe da coroa de Abu Dhabi e líder de fato dos Emirados, gosta da linha dura do presidente para o Irã, com a saída do acordo sobre o programa nuclear de Teerã e o apoio ao seu aliado próximo, a Arábia Saudita.

Creio que o cálculo dos Emirados foi na linha de que esse era um favor que eles estavam fazendo ao governo Trump — disse Robert Malley, ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional do governo Obama, e que era responsável pelo Oriente Médio. Para ele, os emiradenses se veem em uma posição de dívida para com Trump.

Sobre os palestinos, a sensação é de ressentimento. Os Emirados concordaram com a normalização dos laços com Israel sem consultar as lideranças palestinas, que há décadas pressionam as lideranças árabes a evitar relações com os israelenses até que suas demandas políticas e territoriais fossem atendidas.

PUBLICIDADE — Os esforços de Trump para trazer regimes antidemocráticos para uma relação aberta com Israel só vai incentivar o autoritarismo na região, ao normalizar a ocupação e o “apartheid” na Palestina, dando força a monarquias que atacam qualquer dissidência no Golfo e ajudando na narrativa do regime iraniano — afirmou Yousef Munayyer, diretor-executivo da Campanha dos EUA pelos Direitos Palestinos. — E tudo isso por algumas fotos para a eleição.