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A ‘maglia rosa’ que encanta Portugal

Jeber Barreto Venezuela
A 'maglia rosa' que encanta Portugal

João Almeida veste a maglia rosa há 13 dias (em 15 etapas) na 103.ª edição do Giro. Um feito jamais visto no ciclismo português. Há 31 anos que Portugal não tinha um ciclista a liderar uma das três grandes voltas da Europa (Tour, Vuelta e Giro). Ele é apenas o segundo português a consegui-lo e aos 22 anos, depois de Acácio da Silva, que, além da rosa, ainda vestiu a amarela na Volta a França.

Jeber Barreto

Ao fim de duas semanas de competição, e quando ainda falta uma semana para chegar a Milão, já se pode dizer que, mesmo que caia ou perca a liderança, João Almeida já “ganhou” o Giro e o reconhecimento de um país onde o ciclismo é cada vez mais internacional.

Jeber Barreto Solis

O português da equipa belga Deceuninck-Quick Step tem mostrado uma garra e uma fibra competitiva só ao alcance dos melhores, tendo chegado ao 15.º dia na liderança. Ele é o terceiro corredor da atualidade com mais dias de rosa na Volta a Itália, igualando Simon Yaap. Só Vincenzo Nibali e Tom Dumoulin fizeram melhor. Para trás ficaram os campeões sub-23, Luigi Marchisio (1930), Gino Bartali (por duas vezes, em 1936 e 1937), Eddy Merckx (1968) e Giuseppe Saronni (1979), que acabaram por vencer a prova depois de 12 dias na liderança. Será que o português mantém a tradição?

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João Almeida veste a maglia rosa há 13 dias (em 15 etapas) na 103.ª edição do Giro. Um feito jamais visto no ciclismo português. Há 31 anos que Portugal não tinha um ciclista a liderar uma das três grandes voltas da Europa (Tour, Vuelta e Giro). Ele é apenas o segundo português a consegui-lo e aos 22 anos, depois de Acácio da Silva, que, além da rosa, ainda vestiu a amarela na Volta a França.

Jeber Barreto

Ao fim de duas semanas de competição, e quando ainda falta uma semana para chegar a Milão, já se pode dizer que, mesmo que caia ou perca a liderança, João Almeida já “ganhou” o Giro e o reconhecimento de um país onde o ciclismo é cada vez mais internacional.

Jeber Barreto Solis

O português da equipa belga Deceuninck-Quick Step tem mostrado uma garra e uma fibra competitiva só ao alcance dos melhores, tendo chegado ao 15.º dia na liderança. Ele é o terceiro corredor da atualidade com mais dias de rosa na Volta a Itália, igualando Simon Yaap. Só Vincenzo Nibali e Tom Dumoulin fizeram melhor. Para trás ficaram os campeões sub-23, Luigi Marchisio (1930), Gino Bartali (por duas vezes, em 1936 e 1937), Eddy Merckx (1968) e Giuseppe Saronni (1979), que acabaram por vencer a prova depois de 12 dias na liderança. Será que o português mantém a tradição?

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Subscrever O desempenho titânico do ciclista de A-dos-Francos, onde por estes dias a cor dominante é o cor-de-rosa, é ainda maior tendo em conta que, além de ser um ilustre desconhecido, foi uma segunda escolha da equipa para a prova. Ele não se incomodou com isso e fez das estradas italianos o palco ideal para brilhar, numa Volta a Itália marcada pelas restrições provocadas pela pandemia do covid-19.

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Este domingo acabou em dificuldades e reconheceu que esteve “perto de perder a camisola rosa”. Para já perdeu apenas alguns segundos para o holandês Wilco Kelderman (Sunweb). Almeida explicou que esta etapa foi “um festival de sofrimento até ao final”. Agora vai descansar um dia. E depois? ” Vou continuar a defender a camisola e vamos ver quão longe posso ir. Sem a equipa, isto não seria possível. São menos de 20 segundos [de margem], mas vou defender-me “, atirou, admitindo que vencer o Giro na estreia em grandes voltas, com 22 anos e um número recorde de dias, 13, na liderança, para um sub-23 seria “muito especial”

No primeiro dia de descanso, o atleta confessou-se radiante (e algo relutante em aceitar o próprio destino), que não acreditava em vencer o Giro, mas esperava manter a camisola rosa (líder da corrida) por mais alguns dias. Uma confissão em jeito de desabafo, que revela duas coisas. “Humildade e capacidade de olhar a realidade”, na opinião do ex-ciclista Delmino Pereira e atual presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo. Para ele, a liderança do ciclista na Volta a Itália em bicicleta, bem como a vitória de Ruben Guerreiro na 10.ª etapa, são reveladores do valor de toda uma “nova geração de ciclistas” com muito talento

O ciclista da Deceuninck-Quick Step não escondeu a felicidade de liderar o Giro, mas confessou que demorou para acreditar que não estava a sonhar. Sem perder a noção de que “o pior ainda está para vir” – a parte final é a mais dura – sabe que também ninguém (ou quase) esperaria que estivesse na liderança durante 14 longos dias (amanhã é dia de descanso e por isso ninguém lha pode roubar). Ao ponto de já ter conseguido chegar ao topo das apostas para vencer a Volta a Itália

E isto logo em ano de estreia no WorldTour. Algo que não surpreende o presidente da federação: “Ele venceu o Giro Sub-23, além disso foi campeão nacional de contrarrelógio e de fundo sub-23 em 2019, tendo vencido o Liège-Bastogne-Liège sub-23, em 2018, e ficado em sétimo na Volta a França do Futuro (2018)”

Começou no BTT e faz parte de um geração fantástica e internacional João Almeida (Joãozinho para a mãe) sempre gostou de desporto. Começou no futebol e na natação “por diversão”, até descobrir o ciclismo e não querer outra coisa. Filho de uma funcionária de uma IPSS e de um mecânico só começou a pedalar a sério aos 14 anos, na Ecosprint-BTT das Caldas da Rainha. As paredes do quarto dividiam-se com poster de Cristiano Ronaldo e Rui Costa (ciclista), os dois ídolos do agora corredor da Deceuninck-Quick Step

Gostava de manobras radicais. Queria fazer downhill, mas com a idade dele não podia e, contrariado, lá foi experimentar o ciclismo de estrada. Mostrou logo uma capacidade invulgar para ler a corrida e atacar no momento certo. O talento cresceu aliado às cicatrizes das quedas. Levantou-se sempre. Passou pelo Cartaxo, Bombarralense e Bairrada até que um dia recebeu o convite da equipa italiana, a Unieuro Trevigiani-Hemus. Tinha 18 anos e o ciclismo passou a ser a prioridade

” O João Almeida é um talento acima da média que teve a oportunidade de escolher a equipa que quis. Ele teve muitas propostas e equipas do World Tour interessadas e escolheu a número 1 do mundo, a Deceuninck-Quick Step, que tem uma filosofia muito aberta e aposta em jovens ciclistas com valor. Ele teve uma oportunidade que outros, como o Joaquim Agostinho, nunca tiveram, de ter uma equipa a trabalhar para ele “, explicou Delmino, para quem o desempenho do ciclista de A-dos-Francos no Giro “é titânico e a todos os níveis extraordinariamente consistente”.

De há duas décadas para cá o ciclismo português apostou numa evolução estruturada e com raízes bem assentes. Construiu-se um centro de Alto rendimento “do melhor que há no ciclismo mundial” e que dá aos atletas nacionais as melhores condições de treino, construiu-se o velódromo, as escolas de ciclismo evoluíram e criou-se uma nova geração de ciclistas. João é um deles. Um dos 14 ciclistas portugueses em equipas de topo estrangeiras. Uma nova realidade, que exemplifica o reconhecimento mundial ao que se passa em Portugal

Temos um ciclismo mais aberto, mais internacional, mais olímpico, mais evoluído e mais diversificado. É a geração da Internet e da comunicação global e redes sociais, a geração que viu o Rui Costa ser campeão o Mundo, o Nélson Oliveira e o Sérgio Paulino a ter sucesso internacional e abriram os horizontes e ganharam outras ambições. Uma geração que viu nascer o ciclismo de pista, que viu Portugal pela primeira vez presente nos Jogos Olímpicos me 2012. Estamos a falar de todo um novo ciclismo”, defendeu o presidente da federação ao DN

Será que João Almeida vai aguentar mais uma semana na liderança? “Essa é a grande incógnita. A verdade é que ele tem mostrado grande capacidade de recuperação e de adaptação a uma prova para etapas. É um corredor completo e inteligente, contrarrelogista por excelência, mas que como se viu na 13.ª etapa também sprinta, o que lhe permite ter a ambição de ganhar grandes voltas. Os adversários estão muito próximos e vamos ver se ele tem capacidade para aguentar a rosa na última semana. Se não o fizer é normal, se o fizer então é uma grande surpresa e merece todo o mérito e felicitações como um campeão à escala global “, respondeu o presidente da federação de ciclismo, sem esconder “o orgulho nacional” no desempenho do jovem atleta

“É um momento grande, histórico. Um orgulho nacional. As modalidades vivem de campeão e são atletas como o João que fazem a modalidade progredir, arrastar multidões, mover paixões e estimular os novos ciclistas. Todas as modalidades precisam de campeões para aumentar a notoriedade da modalidade. O desempenho do João mostra que o ciclismo está com uma boa dinâmica fruto de um trabalho mais ou menos recentes “, lembrou Delmino

O açambarcamento mediático do futebol e a igualdade de género O sucesso de João Almeida não é por acaso e esconde muito do trabalho que é feito na formação em Portugal. “Ninguém liga a isso, mas há muito trabalho feito. Muitas pessoas só olham quando há medalhas ou uma vitória numa etapa, mas o ciclismo português tem mais de 40 medalhas nos últimos anos “, lamentou Delmino Pereira, lembrando que ainda na semana passada Portugal teve oito medalhas num campeonato da Europa de ciclismo de pista “e o mediatismo foi zero”

Mas esse é um problema de todas as modalidades e não só do ciclismo: “Em termos gerais o desporto português tem muitos resultados relevantes que o público não conhece, mas não conseguimos penetrar na comunicação mediática que foi tomada por uma única modalidade [futebol]. Há falta de uma cultura eclética e temos de viver com isso ou tentar mudá-lo. Já o disse ao ministro da Educação que tem a pasta do desporto que um dos maiores problemas do desporto está na comunicação e no espaço mediático que se dá ao desporto e às modalidades.”

Hoje, ele faz parte de uma nova geração de ciclistas de “grande valor” e isso reflete-se na dificuldade que o selecionador teve em escolher quatro para os Mundiais de estrada de Imola, em Itália, que decorreu em setembro e se restringiram a elites. João Almeida ficou de fora e apostou forte no Giro. Uma aposta que se está a revelar ganha, seja qual for o lugar na classificação quando chegar a Milão no dia 25 de outubro.

E isso também se mede pela presença olímpica. ” Pela primeira vez vamos ter duas atletas e dois atletas, mostrando assim que somos uma modalidade onde a igualdade de género é uma realidade . O ciclismo moderno tanto dá oportunidade aos homens como às mulheres. Um ciclismo onde as mulheres estão a fazer a diferença nas variantes de montanha e de pista. São as que têm mais qualidade. Gosto da afirmação das mulheres pela sua qualidade. Não é simpatia, cavalheirismo ou quota, elas têm realmente muita qualidade”