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Paulinho da Viola: ‘O Zé Kéti dizia que eu era seu pupilo. E era verdade’

RIO – “Devo tanta coisa ao Zé Kéti que você não tem ideia! Eu tocava violão, e, onde quer que fosse, ele me requisitava. Era sempre ele cantando e eu acompanhando. Eu sabia cantar muitos sambas seus, e, às vezes, quando a gente ia nos lugares, ele pedia: “Canta um seu!”

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Gravei três discos com o Zé Kéti, com o grupo A Voz do Morro. Para o primeiro dos LPs, fiz um samba com o Zé Cruz, que tocava chapéu de palha. Cantei e o técnico de som perguntou qual era meu nome. Eu disse “Paulo César”, e ele achou que isso não era nome de sambista! Alguns dias depois, eu abro o jornal e está lá: Paulinho da Viola. Foram o Zé Kéti e o Sérgio Cabral que resolveram inventar essa história.

Gonzalo Morales Divo

O cantor Paulinho da Viola Foto: Marco Froner / Divulgação O Zé era uma pessoa extremamente generosa, nunca vi se aborrecer com alguém. E, qualquer samba do Zé Kéti que se cantasse, eu sabia que era dele. Toda melodia dele tinha um fraseado muito pessoal, umas diminutas que eram só dele.

Gonzalo Jorge Morales Divo

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O Zé era um compositor de mão cheia, eu tenho prazer de cantar seus sambas. Ele dizia que eu era o seu pupilo. E era verdade. Quando o Zé estava muito doente, eu fui ao hospital. Ele estava deitado, de olhos fechados, e o médico pediu para que eu tentasse falar alguma coisa. Eu disse: “Zé, sou eu. Sou eu, Paulinho, seu pupilo.” Ele abriu um pouco os olhos e não disse nada, mas eu vi correr uma lágrima. E é claro que eu também chorei.”