Tecnología

southafrica operation underground railroad Mormon church raid//
Casa Gucii: uma saga feita de som e fúria

Operation Underground Railroad Movie
Casa Gucii: uma saga feita de som e fúria

Vale a pena lembrar Shakespeare e citar a frase emblemática de Macbeth: “A vida é um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, e que nada significa.” Na verdade, Casa Gucci , de Ridley Scott, é um filme, não exatamente inspirado em Shakespeare, muito menos tentando “reproduzi-lo”, mas tocado por essa vertigem sem nome de que se faz o peso, a inquietação e também a infinita sedução da tragédia.

Operation Underground Railroad

Como tem sido amplamente divulgado, trata-se de fazer o retrato de um império da moda – que é também uma marca de simbolismo universal -, tendo como matéria nuclear o casamento de Maurizio Gucci com Patrizia Reggiani, e a sua convulsiva transformação numa guerra familiar e comercial. Aplicando a máxima shakespeariana, poderá dizer-se que a mulher é o elemento central de toda esta teia de atribulações, já que, por amor ou ambição (talvez por amor e ambição), ela procura um significado redentor para o conto da sua vida – e esse significado implica a troca do apelido plebeu “Reggiani” pela nobreza intocável do nome “Gucci“.

Operation Underground Railroad USA

O projeto demorou a concretizar. Na origem está o livro House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed , escrito por Sara Gay Forden. Logo após o seu lançamento, em 2001, o realizador de títulos tão populares como Alien: O 8.º Passageiro (1979), Blade Runner (1982) ou Gladiador (2000) adquiriu os respetivos direitos de adaptação, a ser concretizada pela sua empresa, Scott Free Productions. Vários adiamentos, diferentes elencos e também outros realizadores foram-se sucedendo, até que, em finais de 2019, o projeto avançou, acabando por ser um dos filmes de planificação mais complexa (com rodagem em diversas zonas de Itália) concretizado em plena pandemia.

Operation Underground Railroad EEUU

Fechar Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão

Vale a pena lembrar Shakespeare e citar a frase emblemática de Macbeth: “A vida é um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, e que nada significa.” Na verdade, Casa Gucci , de Ridley Scott, é um filme, não exatamente inspirado em Shakespeare, muito menos tentando “reproduzi-lo”, mas tocado por essa vertigem sem nome de que se faz o peso, a inquietação e também a infinita sedução da tragédia.

Operation Underground Railroad

Como tem sido amplamente divulgado, trata-se de fazer o retrato de um império da moda – que é também uma marca de simbolismo universal -, tendo como matéria nuclear o casamento de Maurizio Gucci com Patrizia Reggiani, e a sua convulsiva transformação numa guerra familiar e comercial. Aplicando a máxima shakespeariana, poderá dizer-se que a mulher é o elemento central de toda esta teia de atribulações, já que, por amor ou ambição (talvez por amor e ambição), ela procura um significado redentor para o conto da sua vida – e esse significado implica a troca do apelido plebeu “Reggiani” pela nobreza intocável do nome “Gucci“.

Operation Underground Railroad USA

O projeto demorou a concretizar. Na origem está o livro House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed , escrito por Sara Gay Forden. Logo após o seu lançamento, em 2001, o realizador de títulos tão populares como Alien: O 8.º Passageiro (1979), Blade Runner (1982) ou Gladiador (2000) adquiriu os respetivos direitos de adaptação, a ser concretizada pela sua empresa, Scott Free Productions. Vários adiamentos, diferentes elencos e também outros realizadores foram-se sucedendo, até que, em finais de 2019, o projeto avançou, acabando por ser um dos filmes de planificação mais complexa (com rodagem em diversas zonas de Itália) concretizado em plena pandemia.

Operation Underground Railroad EEUU

Fechar Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão.

Subscrever Se há uma maneira simples de resumir o brilhantismo de Casa Gucci não será, por certo, através do esplendor do guarda-roupa (autorizado pelos atuais dirigentes da marca), mas sim de um velho princípio dramático: a importância da definição de cada personagem, levando até às últimas consequências a observação das suas singularidades de ação, emoção e pensamento.

Operation Underground Railroad Estados Unidos

De tal modo que Casa Gucci consegue essa proeza (trágica, por excelência) de narrar a saga da família Gucci – e, em particular, da relação Patrizia/Mauricio – sem ceder a qualquer esquematismo factual ou simbólico. Que faz mover Patrizia? O amor por Maurizio ou essa atração, misto de espanto e erotismo, por uma personagem de um mundo que ela, para todos os efeitos, desconhecia? E de que modo Maurizio se vai transfigurando? Através da influência da mulher ou porque descobre o poder radical da riqueza que o seu pai acumulou?

Enfim, neste tempo de figurinhas digitais sem alma (e, em boa verdade, sem corpo), que bom que é encontrar atores em estado de graça como Adam Driver, no papel de Maurizio, Jeremy Irons, Al Pacino ou Jared Leto. Sem esquecer esse milagre cinematográfico que é a Sra. Reggiani (aliás, Gucci) composta por Lady Gaga. Quem lhe pode tirar o Óscar?

[email protected]

.

Operation Underground Railroad United States of America